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Tudo Novo de Novo


Não, não se trata de um seriado de tv. A ideia do tudo novo de novo está ligada ao consumo exagerado que é imposto atualmente à nossa sociedade. Como dizem os mais velhos: “antigamente as coisas eram feitas para durar”. Realmente, os produtos antigos demonstravam sua qualidade baseada na durabilidade. Minha mãe ainda lembra, saudosista, daquela máquina de lavar que durou por longos 20 anos, e olha que, lavando a roupa, quase que diariamente, de uma família com sete pessoas.


O saudosismo de minha mãe tem uma razão de ser. A velha máquina, após cumprir o seu legado, não mais pode ser recuperada devido à falta de peças e do valor exorbitante da mão de obra técnica, comparada ao preço de um produto novo. Após o desuso da nossa guerreira da limpeza, falo da máquina, tivemos 03 substitutas em um período de tempo menor que o da sua existência. Será que com o avanço tecnológico, a qualidade dos produtos diminui? Seria isso um paradoxo mercadológico? Não e sim são as respostas, respectivamente. A tecnologia melhorou muito nossa vida e nos ajuda em nossas tarefas diariamente. Hoje temos bons produtos, mais seguros e confiáveis. E sim, é realmente paradoxal ao fato de que produtos melhores não são, necessariamente, mais duráveis. Antes, a vida útil de um produto era definida pela ação do tempo, do desgaste, do uso, em outras palavras ; “durava até acabar”.

Atualmente , os produtos têm vida útil menor e precisamos trocá-los mais rapidamente, garantido assim, o lucro e sustentabilidade, financeira, das empresas. Inventaram uma coisa muito boa para que isso ocorra de forma cíclica: obsolescência dos produtos. Encontrei a seguinte descrição de obsoleto em um dicionário: “Que deixa de ser usado, por antiquado. Ultrapassado, superado”. A obsolescência dos produtos termina com a sua vida útil, ainda que eles estejam em perfeito estado de funcionamento.

Para girar mais rápida a roda do consumo, foram criadas duas formas de obsolescência: a programada e a percebida. A obsolescência programada é o planejamento feito para que o produto dure por um determinado tempo, sendo necessária sua substituição. Lembram-se das três substitutas de nossa guerreira da limpeza? Exatamente isso, elas foram programadas para durar muito menos que sua antecessora, obrigando a família a sucessivas compras posteriores. Esse tipo de obsolescência serve muito bem, principalmente, para bens considerados “duráveis”, como carros e máquinas de lavar. No entanto, era preciso criar uma nova forma de obsolescência, garantindo que as compras sucessivas ocorressem de forma ainda mais rápida. Nasce então a obsolescência percebida, uma forma de reduzir a vida útil dos produtos, ainda que estejam perfeitamente funcionais e úteis. Os fabricantes lançam produtos com aparência inovadora e mais agradável, dando aos produtos antigos aspecto de ultrapassados, fazendo com que os consumidores sintam a necessidade de trocá-los. A obsolescência dos produtos pode garantir uma sustentabilidade financeira, porém o elevado nível de consumo exige um elevado nível de produção. Alta produção significa alta utilização de recursos e do jeito que vai, nosso planeta não vai aguentar. Nosso consumo se tornou insustentável. O grande desafio que temos pela frente é por realmente em prática o desenvolvimento sustentável. Digo, realmente, porque ainda hoje, infelizmente, o meio ambiente é visto como entrave ao desenvolvimento econômico. Sendo assim, preservar o planeta gera um passivo econômico e a economia, para alguns, geralmente os que mais lucram, é a coisa mais importante do mundo. Falamos diariamente sobre a crise econômica mundial, mas não podemos esquecer que vivemos também uma crise ambiental. O colapso da economia não pode tornar obsoleta a causa ambiental. A sustentabilidade de nosso mundo exige um novo modelo de produção e  consumo. Podemos trocar  nosso carro, nossas roupas, nosso computador, todas as nossas coisas, mas, nem com todo dinheiro do mundo, poderemos trocar de planeta.

Extrair do planeta mais do que ele pode suportar é um caminho sem volta.  Desenvolver  sim, mas de forma sustentável, Reduzindo, Reutilizando, Reciclando sempre que possível. 


Gostou do tema, então assista no cine trem verde o filme a história das coisas.

 

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