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O Brasil deve comemorar o petróleo do Pré-Sal?
 

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 Ronca o motor!  

A barriga ronca?

 


Atualmente, é grande a preocupação com o meio ambiente. Se há anos, a crise ambiental não teve o seu reconhecimento merecido, sendo inclusive tema de dúvida para muita gente, hoje é muito diferente. Temos estudos científicos comprovando os fatos. Como por exemplo: o aquecimento global - causado pela concentração de gases do efeito estufa em nossa atmosfera. (Gases como o CO2 - Gás Carbônico e o CH4 - Metano).

Sabemos que grande parte desses gases, que vão para atmosfera, são oriundos de atividades humanas. Isto tem contribuído, significativamente, para acentuar o problema do aquecimento global. A queima de combustíveis fósseis para geração de energia é uma dessas atividades. Quem diria: levar e buscar as crianças, de automóvel, para a escola ajuda no aumento da temperatura da terra. Por esse motivo, vivemos uma era de discussões e planejamentos na tentativa de reverter essa realidade. Diminuir as emissões de gases do efeito estufa, fez e faz parte dessas discussões e acabou virando uma necessidade mundial. Os países firmam acordos, como o protocolo de Quioto,  onde estipulam metas de redução desses gases. Para tanto, estudam o uso de energias alternativas, como é o caso dos biocombustíveis.


O Brasil sai na frente nesse assunto. Ele está, há pelo menos três décadas, na vanguarda da corrida dos biocombustíveis. Nosso país possui terras e recursos hídricos em abundância e domina a tecnologia necessária para sua produção. Seja do etanol - a partir da cana de açúcar, seja do biodiesel - feito de oleaginosas como a mamona. O governo federal desenvolve uma política de incentivo à produção de biocombustíveis no Brasil. Pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão aplicados, nos próximos quatro anos, R$ 17,4 bilhões na infra-estrutura de combustíveis renováveis. Os recursos serão investidos na implantação de 46 usinas de biodiesel e 77 de etanol, além da construção de 1.150 quilômetros de dutos para transporte dos combustíveis.


Há ainda financiamentos específicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltados para o setor. O banco prioriza o acesso ao crédito a toda cadeia produtiva do etanol: usinas, setor de bens de capital, empresas de engenharia, cadeia automotiva, entre outros. O governo também reduziu a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide em carros movidos a álcool ou do tipo Flex.


No caso do biodiesel, a legislação brasileira estabelece que até 2013 todo o diesel vendido aos consumidores deverá ter uma adição mínima de 5% de biodiesel, meta que pode ser antecipada para 2010. Para tanto, o BNDES oferece um programa de financiamento especial com condições mais facilitadas, que hoje já somam R$ 89 milhões em projetos para produção de 300 milhões de litros por ano. Já os bancos do Brasil, do Nordeste e da Amazônia financiam a agricultura familiar que cultiva matéria-prima para a produção do biodiesel. O BB liberou, por exemplo, R$ 13,5 milhões para o Piauí - o que vai garantir o plantio de 24 mil hectares nesta próxima safra beneficiando oito mil famílias.


Certamente, o uso de biocombustíveis é uma solução interessante para combater o aquecimento global. Muitos estudiosos acreditam que há uma compensação natural dos gases emitidos na queima desses combustíveis. Acreditam que o próprio crescimento das plantas destinadas a sua produção, seria responsável pelo sequestro do carbono em quantidades suficientes para manter um equilíbrio em nossa atmosfera. O uso dos biocombustíveis pode, realmente, ajudar na preservação do nosso planeta. Mas, se estamos na era das discussões e planejamentos, alguns pontos precisam ser esclarecidos. O principal: a produção dos biocombustíveis, em grande escala, pode afetar a nossa produção de alimentos?


Governos dos Estados Unidos (EUA) e dos países da União Européia (UE) já falam em, pelo menos, duplicar o seu consumo de biocombustíveis nos próximos anos. Este é um fato gerador de inúmeros interesses, pois pode representar grandes oportunidades de negócios. Contudo, também tem gerado grandes polêmicas. Uma das principais, é aquela que discute o impacto que o crescimento das culturas agrícolas, destinadas à produção de biocombustíveis, causaria à produção de alimentos. Sem contar o fato de que essas monoculturas podem avançar sobre biomas como o cerrado, por exemplo, e aumentar a degradação ambiental.


De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, a falta de alimentos ameaça como um "tsunami silencioso", e pode afundar na fome 100 milhões de pessoas.

A expressiva alta dos alimentos nos últimos dois anos e a crise alimentar que vem afetando muitos países pobres como o Haiti, Burkina Fasso e Níger. Levou vários especialistas ligados a organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a afirmar que esses problemas, que poderiam se alastrar por outros países, eram causados pela expansão de áreas dedicadas a produção de biocombustíveis (o etanol em particular), em detrimento de áreas dedicadas à produção de alimentos. Segundo John Beddington, principal assessor do governo britânico, o crescente aumento de produção dos biocombustíveis, representa uma ameaça para a produção mundial de alimentos, e pode colocar em perigo a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. "É muito difícil imaginar como o mundo vai poder produzir colheitas suficientes para gerar energia renovável e satisfazer ao mesmo tempo a enorme necessidade de alimentos".

Beddington, ainda diz que até 2030 a população mundial terá crescido tanto que será necessário aumentar em 50% a produção de alimentos,  para 2080 será inclusive necessário dobrá-la. Entretanto, a corrida atrás dos biocombustíveis significa que cada vez haverá mais terra arável entregue à produção deles, e não a de alimentos.


Não podemos dizer, no entanto, que o problema da falta de alimentos no mundo, será culpa exclusiva dos biocombustíveis. Na verdade, o problema tem como causa uma combinação de fatores que atuam de forma diferenciada em vários países.

Fatores que podem explicar essa situação:


  • O aumento da produção de biocombustíveis e a manutenção dos subsídios agrícolas em países ricos, como os EUA e países da UE;

  • O aumento dos custos da produção agrícola como decorrência do aumento do petróleo e dos fertilizantes;

  • O forte incremento do consumo de alimentos por parte de países emergentes de grande população como são os casos da China, Índia, Brasil e México;

  • A quebra de safras em vários países produtores de grãos, cujo exemplo mais evidente é o da Austrália, atingida por secas prolongadas nos últimos anos;

  • A crise financeira dos EUA que levou investidores a apostarem em contratos de mercadorias, contribuindo também para o aumento de preços dos alimentos;


A preocupação com a crise ambiental tem influenciado diretamente a tomada de decisão dos governos em todo o mundo. Os biocombustíveis surgem como uma solução e podem contribuir muito para a resolução de alguns dos nossos problemas ambientais.  Necessitamos, com urgência,  mudar nossa matriz energética. O etanol é um forte candidato  a fazer parte de uma nova matriz, mais limpa e renovável.  Ainda assim,  devemos ficar atentos para que uma solução não se transforme em um outro problema.



Que ronquem os motores! Mas as barrigas não.


Fontes:

http://www.fomezero.gov.br/noticias/brasil-incentiva-a-expansao-do-mercado-de-biocombustiveis

http://www.geografiaparatodos.com.br/index.php?pag=sl223

http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=36847

http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=36847

http://www.onu-brasil.org.br/doc_quioto.php

 

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